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Hardik Pandya revelou discurso que transformou a Índia em potência do T20I

A Índia encerrou uma das sequências mais dominantes da história do críquete T20 internacional, acumulando 16 vitórias consecutivas em séries entre 2024 e a semana passada, na Irlanda. A campanha inclui dois Mundiais T20 da ICC e um título da Copa da Ásia, uma hegemonia construída sob Rohit Sharma e continuada por Suryakumar Yadav. O que poucos sabiam, até recentemente, é que a semente desse ciclo vitorioso pode ter sido plantada num vestiário devastado na Austrália, em 2022.

O jornalista esportivo veterano Vikrant Gupta, em entrevista exclusiva ao canal CREX no programa Gen Z vs Boomer, revelou o que aconteceu nos bastidores da seleção indiana após a derrota humilhante por 10 wickets para a Inglaterra na semifinal da Copa do Mundo T20 de 2022. Foi o all-rounder Hardik Pandya quem rompeu o silêncio naquele vestiário. Curiosamente, enquanto o mundo do esporte vivia outros marcos históricos - como o Congo na fase de grupos da Copa, encerrando um jejum de décadas -, a Índia também iniciava sua própria reviravolta, longe dos holofotes, dentro de um vestiário em Adelaide.

O discurso que ninguém esperava ouvir

A partida em si já havia sido traumática o suficiente. KL Rahul caiu por apenas cinco corridas. Rohit Sharma, então capitão, consumiu 28 bolas para marcar 27 pontos em ritmo lento demais para uma semifinal de T20. Virat Kohli, que vinha em boa fase, marcou 50 em 40 bolas - uma atuação aceitável em termos absolutos, mas insuficiente diante do contexto. Foi Pandya quem salvou as aparências com uma incrível tacada de 63 corridas em apenas 33 bolas, empurrando a Índia para 168-6. Ainda assim, Jos Buttler e Alex Hales desmontaram aquele total com dez wickets em mãos e quatro overs sobrando.

No vestiário, segundo Vikrant Gupta, Pandya não poupou ninguém. "Hardik Pandya deu uma bronca em cada batedor do topo da ordem depois da partida e pediu a eles que abandonassem a mentalidade conservadora e passassem a bater com muito mais intenção desde o início", revelou o jornalista. Gupta acrescentou: "Hardik pediu a cada batedor do topo da ordem que batesse com mais intenção, em vez de deixar tudo nas mãos da ordem inferior." Era uma crítica direta, quase inédita naquele ambiente, mas que, segundo Gupta, foi recebida com seriedade pelo BCCI.

De discurso polêmico a mudança de era

A repercussão interna foi suficiente para que o próprio Pandya fosse considerado o principal candidato à capitania do T20I indiano para o ciclo até o Mundial de 2024. Vikrant Gupta foi direto: "Hardik seria o seu capitão até a Copa do Mundo T20 de 2024." No entanto, a comissão técnica e os selecionadores optaram por dar a Rohit Sharma uma extensão de mandato no formato. A aposta valeu: sob Rohit, e com a nova mentalidade ofensiva que Pandya havia pregado, a Índia conquistou o título T20 Mundial de 2024 no Caribe.

Após a aposentadoria de Rohit Sharma do T20I em 2024, o cargo também não foi para Pandya. Suryakumar Yadav, companheiro de Mumbai Indians, assumiu o leme e manteve a sequência intacta. Sob SKY, a Índia não apenas continuou vencendo como elevou o padrão: nas últimas três partidas do Mundial T20 de 2026, incluindo semifinal e final, os indianos superaram a marca de 250 corridas em todas as ocasiões - exatamente o estilo de jogo sem amarras que Pandya havia defendido naquela noite em 2022.

Um legado sem crédito oficial, mas inegável

Hardik Pandya nunca foi capitão da Índia em nenhum torneio mundial. Ficou à margem da glória que, em parte, ajudou a construir. A sequência de 16 séries consecutivas sem derrota pertence aos registros de Rohit Sharma e Suryakumar Yadav, e com toda a justiça. Mas a revelação de Vikrant Gupta recoloca Pandya numa posição central nessa narrativa: a de catalisador, o homem que teve a coragem de dizer o que precisava ser dito quando todos preferiam o silêncio. No críquete, como em qualquer esporte, há quem levante troféus e há quem abra os caminhos para que outros o façam.